Coronavírus e o aumento dos crimes de LD

Disponibilizado em 06/04/2020

As instituições financeiras e a população devem permanecer em alerta com possíveis atividades fraudulentas relacionadas aos esforços de ajuda ao combate do coronavírus. Assim como ocorre durante os desastres naturais, a atual epidemia fez emergir a ação de criminosos. O golpe é impulsionado ainda mais pelo aumento do número de demissões. O desafio de identificar e impedir atividades ilegais é urgente para não interferir nos esforços legítimos de assistência.

As fraudes ocorrem com a utilização de diversos recursos atrativos: oferta de benefícios assistenciais durante a crise, auxílio a instituições de caridade, oferta de empregos, entre outros. Entenda como são realizadas as fraudes, frequentes em momentos de crise:



Fraude em benefícios 

Em geral ocorre quando os indivíduos solicitam benefícios de assistência de emergência aos quais não têm direito. Pode ocorrer aumento no uso de transferências eletrônicas para perpetrar essas fraudes. Nessas situações, são feitos pedidos de saque e os fundos são direcionados para as contas bancárias em que o fraudador imediatamente retira os fundos.

Há algumas ações que ajudam a identificar a atividade fraudulenta, como:

  • recebimento de dinheiro, proveniente de diferentes entidades de assistência a emergências, pelo menos indivíduo;
  • depósitos de cheques em uma mesma conta também de diferentes entidades governamentais ou de assistência;
  • depósitos dos valores em uma conta corrente com nome de titular diferente do beneficiário da assistência;
  • abertura de nova conta com um cheque de assistência de emergência com nome do possível titular da conta sendo diferente do nome do depositante do cheque.



Fraude em instituições de caridade

Ocorre quando as entidades são criadas apenas para a prática dos crimes. Na maioria das vezes, as solicitações e os esquemas de contribuição fraudulentas são originadas por diferentes meios, como e-mails, mídias sociais, sites, cartas ou chamadas telefônicas. Os pontos de contato com a entidade falsa são criados para parecerem verdadeiros. Alguns indícios sinalizam que as transações podem ser ilegais como:

  • o nome da organização beneficiária é semelhante, mas não exatamente o mesmo, de instituições de caridade respeitáveis. 
  • o uso de serviços de transferência de dinheiro para pessoas, em vez de instituições organizadas oficialmente.

 

Mulas de Dinheiro

Já há esquemas de fraudes relacionadas ao coronavírus. O jornalista americano Brian Krebs, quem mantém o site Krebs on Security, especializado em cybercrime e segurança na internet, denunciou um esquema montado pela falsa Fundação Vasty Health Care.  

O site da organização sem fins lucrativos pareceu legítimo, incluindo seções mostrando os esforços de assistência em todo o mundo. Trazia também a informação sobre os escritórios em Nebraska, nos Estados Unidos, e Quebec, no Canadá. No entanto, o conteúdo do site foi copiado quase que integralmente da página de uma entidade legítima, a Globalgiving.

A falsa instituição trazia dois apelos: oferta de emprego associada à chance de as pessoas ajudarem ações assistenciais de combate à epidemia do coronavírus. Mas os criminosos estavam, na realidade, recrutando pessoas para funcionarem como "mulas de dinheiro" para fazer a lavagem de dinheiro. 

O esquema da fraude acontecia à distância e online. Todas pessoas que se candidatavam à vaga eram recrutadas para o "novo cargo". A primeira tarefa era simples, como visitar farmácias e relatar aumentos abusivos de preços. Essa tática é típica dos esquemas de recrutamento de mulas de dinheiro e serve a dois propósitos: separar os preguiçosos das pessoas que realmente precisam do emprego e fazer o funcionário sentir-se parte de algo útil e legítimo.

Após a conclusão da tarefa, começava o esquema de lavagem de dinheiro. O trabalho consistia no processamento de doações feitas por terceiros para ajudar a combater o surto de coronavírus. O "funcionário" recebia uma transferência eletrônica de dinheiro em sua conta bancária e retinha uma parte do dinheiro a título de comissão. O restante dos fundos eram depositados em um caixa eletrônico de Bitcoin. A pessoa também precisava digitalizar um código QR enviado previamente para seu e-mail ou celular. 

O dinheiro depositado é uma transação irreversível para uma carteira de Bitcoin controlada pelos criminosos. Na realidade, os fundos depositados na conta dos funcionários são valores roubados em outras instituições invadidas. Leia mais sobre o crime de lavagem de dinheiro utilizando Criptomoedas.