Covid-19 e as falsas instituições de caridade

Disponibilizado em 11/06/2020

Após catástrofes mundiais, uma tática comum dos fraudadores é usar a boa intenção das pessoas para enganá-las, solicitando dinheiro em nome de falsas instituições de caridade. O crescente número de pessoas necessitadas, por causa da epidemia do Covid-19, cria a oportunidade para esse tipo de golpe.

 

O esquema já é conhecido pelas autoridades mundiais. Os criminosos fingem representar uma instituição beneficente legítima. O golpe pode ocorrer por meio de um telefonema, e-mail ou mesmo uma abordagem na rua. Há um roteiro criado para sensibilizar a vítima e respostas prontas para diversos questionamentos das vítimas.

 

Os golpistas podem utilizar como referência entidades assistenciais reais ou criar novos nomes para instituições falsas. Nos dois casos, os criminosos criam um site semelhante a sites legítimos de instituições. No entanto, além das informações falsas, os pontos de contato como e-mails e telefones também são administrados pelos fraudadores.

 

Tudo é construído para convencer o maior número de pessoas que, pela comoção gerada no momento, já estão dispostas a ajudar entidades beneficentes. Quando a vítima faz uma doação, em vez de o dinheiro ser direcionado para a instituição, é enviado para os golpistas envolvidos na fraude.

 

No início do surto do novo corona vírus, uma falsa entidade canadense usou, também, o esquema de mula de dinheiro ( aqui ), recrutando pessoas para processo de lavagem de dinheiro. As pessoas acreditaram ser funcionários legítimos de instituições, trabalhando com o recebimento de doações de terceiros. No entanto, os valores recebidos eram dinheiro provenientes de crimes ( aqui ).

 

Golpes aplicados por instituições falsas podem ser lucrativos. De acordo com a Giving USA - uma iniciativa pública de apoio ao setor - os americanos doaram US$ 427,71 bilhões para instituições de caridade em 2018. No Brasil, a Associação Brasileira de Captadores de Recursos ( aqui ) que capta doações para as organizações da sociedade civil, possui um dashboard das doações já realizadas para auxiliar nos impactos do COVID 19 ( aqui ). De acordo com o site, já foram doados mais de R$5.5 Bilhões entre 31/03 e 07/06. É um valor muito alto, o que torna os golpes de caridade especialmente atraentes para os fraudadores.

 

 

Alguns criminosos não tiram apenas o dinheiro das vítimas, há muitos casos em que os golpes podem levar ao roubo de identidade. É que os fraudadores solicitam informações pessoais ou financeiras, tais como número da identidade, informações de conta bancária e até número do cartão de crédito. Com esses dados, eles podem cometer outros crimes como fraude em compras ou pedidos de empréstimos bancários.

 

As pessoas devem manter-se alertas quando recebem um pedido de contribuição por parte de uma instituição desconhecida. Um caminho para se proteger dos criminosos é fazer a doação para entidades auxiliadas habitualmente e, mesmo assim, é preciso redobrar a atenção por causa das fraudes usando o nome de organizações legítimas.

 

É preciso tomar uma série de cuidados para não cair neste tipo de golpe:

Pesquisar antes de doar: é importante checar antes se a instituição é mesmo legítima. Além do site da entidade, é importante buscar mais dados em órgãos governamentais ou organizações responsáveis pelo acompanhamento do setor.

Vale a pena também pesquisar na internet se há reclamações ou mesmo denúncias contra a instituição ( aqui e aqui ).

 

Pode ser um indício de golpe:
- Fique atento aos sinais de alerta: é relativamente comum que a pessoa solicitando a ajuda pressione você para fazer a doação do dinheiro. Este é um forte indício de que a instituição é falsa;
- Forma de pagamento: muitas entidades falsas solicitam que a contribuição seja feita por meio de transferência bancária ou dinheiro em espécie. Isso é feito para evitar um possível rastreamento do caminho do dinheiro, facilitado pelos demais métodos de pagamento;
- Desconfie de e-mails: este é um dos métodos de comunicação mais utilizados pelos fraudadores, uma vez que é possível falsificar todas as informações. Muitas vezes os golpistas enviam mensagens de agradecimento "por um apoio recebido no passado", mas que nunca aconteceu realmente. É uma tentativa de induzir a vítima a doar, argumentando que já houve uma contribuição no passado;
- Dados pessoais: nunca forneça suas informações financeiras para as instituições de caridade. Muitas entidades legítimas não pedem dados como conta bancária ou número do cartão de crédito. Uma maneira de contornar essa situação é ligar para a entidade e perguntar sobre as necessidades atuais, fazendo a doação dos itens pessoalmente.

 

 

 

Autor

Manuel Bermejo Fletes

Formado em Administração de Empresas, com MBA em Gestão Estratégica de Negócios e Especialização em Compliance como ferramenta de Gestão pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Profissional com mais de oito anos de experiência na área financeira, coordenando equipes e projetos em instituições nacionais e internacionais. Hoje é Coordenador da área de Monitoramento de Operações de PLD/FT.