Nível de Risco, por que é importante?

Nível de Risco, por que é importante?

Diariamente nos deparamos com as classificações de clientes em alto, médio e baixo risco e ouvimos o termo “abordagem baseada em risco”. Mas afinal, por que isso é feito e qual a importância para as organizações?

 

Já conhecemos os processos de KYC (Conheça seu cliente) e CDD (Devida Diligência do Cliente) e de sua importância para as organizações. A classificação dos clientes é parte deste processo de descoberta. Nesta etapa é construído o Customer Profile ou Perfil do Cliente, que contém informações relacionadas à identidade do cliente, como nome, endereço, detalhes pessoais, como qualificação, estado civil, natureza da atividade ou ocupação comercial, níveis de renda, fonte de receita, detalhes dos ativos, finalidade da abertura da conta, região geográfica, valor esperado de transações em um mês, número de transações, número de transações e valor da transação em dinheiro em um mês, podendo variar de empresa para empresa. Isto ajuda a companhia a entender as necessidades do cliente, bem como para comparar o nível de transações com a atividade do cliente, por exemplo. Entram aí diretrizes de KYC, que exigem a classificação de em “Alto risco”, “Médio risco “e” Baixo risco” (ou ainda outras classificações, de acordo com a necessidade da companhia, que podem conter, por exemplo, clientes com risco super alto/proibido ou de especial atenção), dependendo dos fatores de risco subjacentes ao perfil do cliente e classificados de acordo com uma matriz de risco de clientes. Esta matriz considera as informações obtidas versus perfis esperados de uso dos produtos ou serviços e pode atuar na modelagem de perfis, permitindo a efetividade do monitoramento do cliente.

 

Abaixo, seguem alguns itens que podem elevar a classificação de um cliente para alto risco. A lista a seguir não é limitada e pode variar para cada companhia, assim como a classificação do cliente pode ser alterada, dependendo dos gatilhos propostos e ao longo do relacionamento, portanto, deve ser dinâmica e revisada constantemente:

  • Cliente vinculado a países ou regiões de alto risco.
  • Cliente vinculado a produtos ou setores de alto risco.
  • Clientes que utilizam estruturas societárias complexas e aparentemente desnecessárias.
  • Enquadramento como Pessoa Exposta Politicamente.
  • Questões reputacionais.
  • Transações sem justificativas econômicas óbvias.
  • Excessivas movimentações em espécie ou movimentações incomuns.

 

Seguindo este caminho, é sugerida a abordagem baseada em risco. A Circular BACEN 3.978 traz o seguinte texto: Devem ser definidas categorias de risco que possibilitem a adoção de controles de gerenciamento e de mitigação reforçados para as situações de maior risco e a adoção de controles simplificados nas situações de menor risco.

 

A ideia por trás desta exigência é que não é possível esperar que as instituições identifiquem todos os riscos e violações cometidas por seus clientes, incluindo a questão de PLD. Mas se a instituição desenvolver sistemas e procedimentos para detectar, monitorar e reportar os clientes e as operações de maior alto risco, isso aumentará as chances de estar livre do envolvimento com as atividades criminosas, bem como de quaisquer sanções e penalidades do governo.

 

A abordagem base no risco exige que as instituições tenham sistemas e controles que estejam de acordo com os níveis específicos de riscos de lavagem de dinheiro e de financiamento ao terrorismo com os quais deparam e que seja proporcional ao tamanho da companhia, riscos que ela esteja exposta, etc.. Desta forma, avaliar este risco é um dos passos mais importantes na criação de um programa sólido de prevenção à lavagem de dinheiro. Na medida em que aumentam os riscos, é necessário criar controles mais eficientes, ainda que todas as categorias de risco (baixo, médio ou alto) devem ser identificadas e mitigadas pela aplicação destes controles.

 

Caso tenha interesse em conhecer mais sobre a abordagem baseada em risco, compartilho link do risk-based approach guidance do GAFI: http://www.fatf-gafi.org/media/fatf/documents/reports/risk-based-approach-banking-sector.pdf

Peterson Cis

Peterson Cis

Especialista em Prevenção à Lavagem de Dinheiro, certificado pela ACAMS. Formado em Telecomunicações, com MBA em Planejamento e Gestão de Negócios e Especialização em Gerenciamento de Projetos. Profissional com mais de seis anos de experiência na área de Prevenção à Lavagem de Dinheiro, coordenando equipes e projetos em instituições nacionais e multinacionais. Hoje é Coordenador das áreas de Monitoramento de Operações de PLD/FT e Onboarding de Clientes.

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